Biografia do Compositor
Antonín Dvořák

Antonín Dvořák nasceu em 1841, na pequena cidade boêmia de Nelahozeves, um humilde domínio checo do império austro-húngaro. Seu pai, um açougueiro, também era dono de uma estalagem, onde se distraia tocando a cítara para seus convidados. Antonín, o mais velho dos oito irmãos, herdou o talento musical do pai.
Antonín recebeu suas primeiras classes de canto e violino do mestre-escola da vila. O garoto logo mudou-se para uma cidade vizinha para aprender alemão, estudando também órgão, piano, viola e composição. Dvořák eventualmente cursou escola para organistas e o Conservatório em Praga. Para se manter, ele trabalhou como violista principal no Teatro Nacional Checo, conduzido por Smetana, compositor da grande ópera checa A Noiva Vendida.
Entre outros trabalhos, Dvořák dava classes de música às duas filhas do proprietário de sua casa. Ele apaixonou-se pela irmã mais velha, mas quando ela se casou com um nobre, ele voltou suas atenções à Anna, a mais nova. Muito pobre para propor casamento, Dvořák trabalhou duro por muito tempo antes de conquistar a mão de sua pretendente.
Entrementes, o jovem compositor desenvolvia sua própria voz, mesclando o sofisticado idioma sinfônico com motivos da música folclórica checa. Depois de anos de ardentes composições, Dvořák finalmente fez sucesso com a cantata Hino: Os Herdeiros da Montanha Branca (1873), sobre a luta checa de independência da Áustria no século XVII. Naquele mesmo ano, Dvořák casou-se com Anna. Juntos, eles construiriam uma família grande e feliz.
Em 1874, Dvořák começou a peticionar para fundos que o governo austríaco premiava à artistas. Através de suas petições anuais, ele tornou-se amigo do grande compositor Johannes Brahms. Brahms recomendou as composições de Dvořák ao editor Fritz Simrock, que comprou os Duetos Morávios do compositor e comissionou as Danças Eslavas. Dvořák tornou-se famoso em toda a Europa com as bem sucedidas Danças Eslavas. Valsas, marchas, concertos, sinfonias e óperas seguiram e a fama de Dvořák continuou crescendo. Uma de suas obras mais importantes daquele período foi o pungente Stabat Mater (1876), escrito depois que Dvořák perdeu sua filha de dois dias de idade.
A música de Dvořák sempre exaltou sua pátria checa. Porém, nos 1880, o sentimento anti-checo na Áustria ameaçava abafar sua carreira. Ele fazia mais sucesso no exterior. Dvořák realizou nove viagens para Londres, onde foi recebido como um herói artístico. Durante sua turnê de 1884, ele escreveu para casa: “Eu tenho que te contar sobre o tamanho do coro aqui — não se alarme! Oitocentos cantores e 24 primeiros-violinos na orquestra!” Entre 1889-90, Dvořák viajou até para a Rússia à convite de Tchaikovsky.
O compositor esforçado havia se transformado em um artista e empresário seguro de si. Dvořák comprou um terreno numa pequena vila boêmia chamada Vysoká. Lá, ele podia desfrutar em paz dos verões. De 1890-1892, ele passou o resto do ano ensinando no Conservatório de Praga.
Em 1891, o filantropo americano Jeanette Thurber convidou Dvořák para tornar-se o diretor do Conservatório Nacional de Música em Nova York. Dvořák, sua esposa, e duas de suas crianças se mudaram para a América. Ele escreveu para um amigo: “Os americanos esperam maravilhas de mim. Eu devo guiá-los à Terra Prometida, a uma arte nova, independente. Em resumo, a um estilo nacional de música!” Alguns dos estudantes de Dvořák seguiram para tornarem-se professores de grandes compositores americanos como Copland, Gershwin e Ives.
Dvořák estava ambos inspirado e frustrado com a América. Ele encontrou novo material musical na música folclórica afro-americana e indígena, mas as saudades fizeram com que ele se aferrasse ainda mais às suas raízes boêmias. Sua famosa Nona Sinfonia, From The New World (Do Novo Mundo, originalmente publicada como Quinta Sinfonia) captura alguns destes sentimentos.
Em 1895, Dvořák regressou à Boêmia e a seu antigo posto no Conservatório de Praga. Ele começou a compor poemas sinfônicos baseado nos contos de fada macabros e freqüentemente violentos da Antologia de Lendas Nativas de K.J. Erben. Ele também dedicou suas atenções à ópera.
As primeiras óperas de Dvořák eram parcas imitações de Wagner. Ele foi mais bem sucedido escrevendo óperas cômicas sobre a vida nos vilarejos checos como Os Teimosos Amantes (1874), O Camponês Esperto (1877), e O Jacobino (1887, revisada em 1897). Ele dominou a arte da ópera épico-histórica com Dmitrij (1882, revisada entre 1894-1895). No conto sobrenatural O Diabo e Catarina (1898-90), Dvořák uniu técnicas wagnerianas a melodias folclóricas checas.
Atualmente, a maior parte das óperas de Dvořák quase não são escutadas fora da República Checa, mas sua obra-prima Rusalka (1900) é amada mundialmente. A música de Dvořák traz à vida, com uma música suntuosa e brilhante, a fábula sobre uma sereia que apaixona-se por um príncipe. Rusalka foi um sucesso em sua estréia e continua sendo a ópera mais popular de Dvořák.
Sua obra seguinte foi Armida (1902-1903), um drama lírico sobre um tema internacional e démodé. Na estréia em 1904, Dvořák sentiu uma dor crônica em seus quadris e precisou deixar o teatro. Depois de algumas semanas doente, ele morreu. Ele tinha apenas 63 anos.
Apesar de seu sucesso, Dvořák continuou sendo um homem simples que encontrava profunda felicidade em sua família, na natureza e na música. Como ele escreveu certa vez para um amigo: “Eu sou o que sou – um modesto, um simples músico boêmio”.
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